O pai do ano!


Há algum tempo rolou na internet a foto de um pai que  passou a usar saias em público como forma de apoiar o filhinho de 5 anos, que gosta de usar vestidos e pintar as unhas. Veja:

Não é fofíssimo?! Pois o boy é um escritor chamado Nils Pickert de 32 anos nascido em Berlim, hétero, casado há 16 anos.

E se a foto não foi suficiente para derreter esse seu coração de pedra, leia os trechos de uma entrevista que ele deu, que é um verdadeiro tapa na cara da nossa sociedade latina machista e moralista:

(Do IG)

iG: Você é adepto da criação de gênero neutro ?

Nils Pickert: Não existe essa coisa de “criação de gênero neutro”. Se eu tentasse criá-lo dessa maneira, estaria levando-o ao igualitarismo, e não à igualdade. O igualitarismo nega a existência das diferenças. A igualdade defende que todos devem ter direitos iguais. Eu sou a favor da igualdade, o que significa ter os mesmos direitos de escolha não apesar, mas por causa das diferenças. Sempre haverão gêneros diferentes e identidades diversas. “Neutro” não é uma opção. Devemos procurar o “justo” em vez do “neutro”.

iG: Desde quando seu filho mostrou interesse por vestidos, esmaltes e outros elementos culturalmente associados ao feminino?

Nils Pickert: Não criamos um ambiente em que ele precisasse identificar certas coisas como masculinas ou femininas. Por que deveríamos fazê-lo? Algumas pessoas gostam de esmaltes, como meu filho e a irmã dele. E há pessoas que detestam esmaltes, como a mãe dele. Usar saias ou gostar de coisas cor de rosa não é feminino por si só. Agir de forma áspera e ser durão não é masculino por si só. Somos nós que atribuímos estes valores.

OMG!

iG: Como você se sentiu ao perceber que ele gostava de usar saias? Você ficou preocupado? Pensou no que as pessoas iriam dizer?

Nils Pickert: Não fiquei preocupado, não há nada para se preocupar. Ele é meu filho e está tentando viver a vida da melhor maneira que pode. Se ele quiser fazer aulas de boxe, tudo bem! Se quiser dançar balé, tudo bem também. Mas é claro que pensei no que as pessoas iam dizer para mim. Todo mundo tem o direito de criticar minhas decisões. Sou eu, e não ele, quem está tomando uma posição. Ele só quer usar vestidos de vez em quando. Já eu estou tentando garantir que todos ao nosso redor entendam que ele não está sozinho e que eu estou aqui para apoiá-lo. Para isso, estou disposto a fazer papel de bobo — sou pai dele.

iG: Muitas pessoas criticaram sua atitude argumentando que, permitindo a seu filho experimentar elementos associados ao feminino, você está deixando de ensiná-lo os códigos sociais, função fundamental dos pais. O que você acha?

Nils Pickert: Isso é um argumento cínico e um pouco covarde. Ele tem total capacidade de entender os códigos sociais. Mas, acima disso, ele é capaz de distinguir o que é superficial e o que é mais profundo. Um vestido é só um vestido. Ser mau ou violento, isso sim é um problema. Talvez ele deixe de usar vestidos um dia. Mas sempre haverá gente que, por ser diferente, vai precisar da compreensão e da paciência dele. As pessoas me perguntam porque não poupo meu filho dos olhares de reprovação simplesmente dizendo-o para não sair mais de vestido. Prefiro poupá-lo de um julgamento cruel e odioso da sociedade, e só tem uma forma de fazer isso: mudando-a. Não porque somos diferentes ou párias, mas porque poderíamos sê-los. Não lidar com questões de gênero não nos dá o direito de julgar quem é. Nos dá o privilégio de ajudar quem está às voltas com estas questões.

Você quem critica a atitude: “Obrigado por sua opinião irrelevante”

iG: Você acha que brincar ou experimentar papéis associados ao feminino pode influenciar na sexualidade do seu filho?

Nils Pickert: A sexualidade do meu filho não é problema meu. Não sou dono do futuro do meu filho. O futuro dele é todo dele, para ele viver — eu sou abençoado por poder acompanhá-lo.

É isso mesmo? A humanidade ainda tem salvação?! Não encha meu coração de esperança atoa, hein?!

18 comentários sobre “O pai do ano!

  1. …… quando será que o livro dele falando sobre o assunto chegará às livrarias? cata: não existe isso de neutro …. depois ele fala: não criamos um ambiente em que coisas masculinas e femininas sejam separadas… oi? na minha opinião ele tá usando a experiência do filho como fonte de experiência própria e posteriormente lucrar a respeito disso com um livro que provavelmente ele deva escrever sobre o assunto. aguardemos.

    • Freud, Paulo Freira, não sei bem qual desses grandes nomes estudou e analisou os filhos e são gigantes nas suas áreas. Qual o problema ?

      • Enquanto ele não estiver forçando o filho dele à isso e se aproveitando da situação não tem problema nenhum.

  2. Quando eu era criança levei uma surra por estar usando um chapéu e dançando em frente ao espelho! kkkkk

    Não era coisa de menino.

  3. Gente, ahazou!
    Se um dia eu tiver um filho, agirei da mesma forma também *.*
    Cada resposta dele é uma batida de leque na cara da sociedade. VRAW VRAW VRAW

  4. Já foi moda vestir menino de menina. Jean-Paul Sarte só descobriu que era um menino aos 7 anos (e ficou chocado) e no entanto foi heterossexual e pegador. Tá certo que na época de Sartre já não era tão moda assim, mas entre a aristocracia, até princípio do século XIX, uma criança do sexo masculino era indistinguível de outra do sexo femino (menino da aristocracia inglesa do século XVIII: http://paintings-art-picture.com/paintings/wp-content/uploads/2012/03/13/REYNOLDS-Sir-Joshua-Master-Hare.jpg).
    A minha irmã, que está grávida de menina, viu, amou e comprou um par de all-starzinhos baby para a minha sobrinha. Vai que ela gosta e depois pede uma camisa xadrez também… O tio apoia, por que não?

  5. Gostaria de saber o porquê do blog não divulgar os candidatos que apoiam, defendem ou tem ideias para o grupo LGBT. Eu disse divulgar os candidatos e não tomar partido de algum deles.
    Como as igrejas evangélicas apoiam (Impõem) abertamente seus candidatos nas igrejas, blogs e sites, nao vejo problema o B.C. apenas divulgar um resumo dos candidatos e suas propostas para o segmento LGBT de cada município da grande vitória. Vi alguns candidatos interessantes e acho q deveríamos ter um lugar comum para essa divulgação, e ideal seria o B.C. já que possui sei lá quantos mil acessos diários.
    Temos que nos unir nas votações e defender nossos interesses. Estamos muito atrasados nisso, já que todos os outros “grupos” são unidos qdo querem defender interesses, menos o nosso.
    O B.C. poderia dar um pontapé nisso. Cade a Iza, meu Pai ?

    • eu gostaria de votar em algum candidato no município de cariacica que apoie o movimento LGBT e não conheço algum sequer. E tb não sei onde buscar, pq não existe, ou eu nao sei, onde há um centro de informação eleitoral em q reuna todos os candidatos com as respectivas propostas. E antes q alguem diga, não aparece todos os candidatos na TV, é de pouco em pouco. Eu sei q em vitória tem um tal de Arthur q é da ufes e um q vi na tv falando do apoio aos LGBT, sei da Chica em VV, mas em cariacica não sei nenhum.

    • Não sei se devíamos nos envolver com política… mas vamos discutir isso em grupo e ver o que resolvemos, tá bom? Obrigado pela sugestão

      • É o que foi dito, Max. Nao precisa apoiar ninguém, apenas divulgar os candidatos que defendem, representam ou possuem projetos para os LGBTs.
        Você poderia, por exemplo, ter divulgado a entrevista que a C.Chiclete deu ao Século Diário.
        Divulgar e não tomar partido. Deixe os gays decidirem. Imparcialidade, Max, só joga o nome e as propostas e deixa o povo decidir.

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