Female to Male – O gueto da Transexualidade


Sempre quis postar sobre transexualidade aqui no blog, mas não a transexualidade habitual que toda bee pintosa já cogitou ser um dia para fugir do preconceito.

Me interessa a transexualidade feminina, aquela sobre a qual pouca gente fala, uns preconceituosos mal consideram que existe e é citada na maioria das vezes como apenas uma lésbica masculina.

Fiz uma entrevista com uma menina que ainda não começou a modificar o corpo. Ela me contou como determinou o que era, o que faz para enfrentar o preconceito da sociedade e, pasmem, o preconceito consigo mesma. Vamos nos informar um pouco?

Segue o texto dela na íntegra (que é bem grande, mas muitíssimo interessante, vale a pena tirar uns minutinhos pra ler):

O que é:

Bem, a transexualidade ou (disforia de gênero) é uma condição na qual a pessoa se identifica psicologicamente como sendo do gênero oposto ao seu sexo biológico, sendo perturbador o suficiente a ponto de o individuo necessitar adequar seu corpo à sua mente.

Uma vez feita a mudança, a pessoa deixa a condição transexual e passa a assumir o gênero que se identifica. Vale lembrar que existe uma diferença entre transexualidade e travestismo.

Travesti é a condição em que a pessoa se identifica com as roupas, acessórios e etc do gênero oposto ao seu sexo biológico, porém não sente qualquer aversão ao seu corpo. Podem até fazer algo pra tornar mais semelhante ao sexo oposto (colocar silicone, cortar ou deixar o cabelo crescer), mas se sente ‘muito bem e obrigado’ como estão, sem retirar ou por nada ‘lá embaixo’.

Quando descobri:

Faz pouco tempo, coisa de aproximadamente dois pra três anos.

Clique aí embaixo para continuar lendo…

Quando determinei que era:

Quando entendi que lésbica ‘era pouco’ pra mim. Sou homossexual desde sempre, mas precisamente, me descobri e me aceitei aos 13 anos. Na época era evangélica e me dedicava à igreja; ocupava minha mente com o estudo da música. A única coisa que lembro da infância, era sempre querer ter nascido menino. Tudo o que eu gostava era de meninos. Entao seria melhor se eu tivesse nascido menino.

Com o passar do tempo, não tinha ‘Jesus no meu coração’, nem ‘fogo do Inferno’ que me fizesse acreditar que poderia ser hétero. Comecei a me relacionar com mulheres. E estava tudo caminhando bem, até que um dia ‘percebi’ que tinha fortes trejeitos masculinos. E não era nada de ‘coçar o saco’ e cuspir no chão. Educação sempre foi muito bem-vinda. Era algo mais de dentro, mais da alma. Mas tudo bem; não mudou muito minha vida. Apenas entendi que admirava mais ainda as roupas masculinas; disse pra minha namorada que gostaria de usá-las um dia, e por ai foi. Como eu poderia dizer, virei ‘bofinho’. Ela comprou algumas roupas pra eu usar quando estivesse na casa dela (pq em minha casa isso é impossível), e foi interessante.

Interessante pois, ao contrário do que eu esperava, não me satisfez completamente. Melhorou um pouquinho, mas ainda não era aquilo. Passou mais algum bom tempo. Estava eu na faculdade, estudando genética, e me bateu uma curiosidade em saber o que seria a transexualidade, se era genético ou psicológico.

Me lembro que tudo o que eu lia falava sobre mtf’s (male to female – homem para mulher). Também me lembrei de como sempre quis ter nascido menino quando era criança. E então veio a dúvida: será que mulheres também podem ser transexuais, existiria cirurgia pra isso? E pra meu espanto, tudo era possível. Li tudo o que podia sobre os FTM’S (female to male), entrei em comunidades do Orkut, conheci ftm’s daqui do Brasil, e a cada depoimento eu me identificava mais, ficava mais espantada e atordoada.

A verdade veio como um raio: eu sou transexual. Aqueles depoimentos me fizeram lembrar coisas que aconteceram na infância que eu já não lembrava, e que na época não entendia por ser criança.

Um exemplo? Às vezes quando ia ao banheiro, via se minha mãe estava no quarto, trancava a porta e detonava o lápis de olho dela fazendo cavanhaque tipo os de festa junina, tamanha era minha vontade de ter nascido menino. Falando em festa junina, às vezes me entristecia por ser evangélica e não participar desses eventos, pois algum dia, poderia calhar de, por ser festa junina, eu fazer o papel de noivo.

Como me aceitei:

Foi difícil. Muito difícil. E é até hoje. Quando eu tinha 13 anos, eu deitei em minha cama, racionalizei a situação e disse: “tá. Eu sou homossexual”. Aos 20, eu virei pra minha namorada e falei: ‘eu gosto de roupas de homens, quero usá-las. Tudo bem pra você?’. Hoje estou beirando a casa dos 23 e ainda choro quando me lembro da situação quase desesperadora em que me encontro. Confesso que fiquei muito feliz por saber quem sou; de chegar pra você agora e dizer “eu sou isso”, mas foi igualmente terrível. Desde então meu mundo virou de pernas pro ar. Passei a ficar um pouco depressiva, nervosa. Agora eu entendi o quê que tanto me incomodava por toda a minha vida: quando eu me olhava no espelho, eu via minha roupa e minha alma; meu corpo tornava tudo destoante. Era isso que eu não tinha captado quando mais jovem.

Por que não conto pra família:

Então eu ainda tinha jeito, ainda tinha uma cura: fazer o tratamento hormonal e adequar meu corpo ao que meu psicológico tanto gritava.

Mas como eu chego pros meus pais e digo: ‘então.. lembra que vocês tiveram 4 filhos homens.. e eram loucos pra ter uma menina.. e a idade não ajudava.. e me encomedaram.. e fizeram tudo por mim.. me deram tudo o que eles não tiveram..? Esqueçe tudo porque eu também sou homem, sua filha morreu.’

Acredito que no mínimo eu deveria deixar o SAMU de prontidão na beira do sofá. Sou covarde. E nada mais. Prefiro ver meu brilho sumir, minha alegria ser esvair, ficar sem roupas, sem calçados, que contar pra eles e acabar com meu sofrimento. Não tenho prazer em comprar nada pra mim, pq tudo o que me interessa pertence ao universo masculino e eu não posso/tenho coragem de usar essas roupas em casa. Só uso quando estou na casa da minha namorada. “E na rua? Pq não usa suas roupas na rua?” Bem, eu tenho o meu orgulho.

Eu não sou mulher, logo eu não sou bofinho. Se for pra sair na rua e virar chacota dos outros ou até mesmo correr risco de violência, prefiro continuar andrógina como estou.

“Mas porra, você não sabe o que quer.” Se tenho certeza de uma coisa é que eu sou homem e definitivamente busco minimizar eu sofrimento. Quanto menos situações de preconceito eu sofrer, menos pior pra mim. É triste dizer, mas, sim, eu tenho vergonha de mim. E tenho mais vergonha ainda de sair do jeito que estou nas ruas. Como eu disse, eu não sou bofinho.Você sabe o que é carregar essas coisas penduradas aqui no tórax? Talvez por uma benção dos deuses, essas coisas vieram tamanho pp. Isso quer dizer que vou gastar menos dinheiro com minha cirurgia. Isso se eu tiver coragem para fazê-la.

Porquê eu considero muito complicado:

Ser transexual não é fácil. Ser transexual masculino é mais difícil ainda. Em geral a sociedade é machista; a mulher sempre foi vista como ser inferior. A aceitação pelas pessoas é mais difícil. Além disso, nós ftm’s sofremos um terrível dilema: ‘ele’ não existe, e provavelmente não existirá na minha geração.

Por mais homem que eu me torne, serei um homem castrado. E a maioria de vocês, meninos, devem entender bem como é isso. Existe sim, uma cirurgia em caráter experimental para a construção de um pênis com pele das costas, lateral do corpo, etc, num método, à grosso modo, inflável. Isso é ridículo pra mim. Há ftms que choram de alegria ao saber que estão na fila pra isso. Eu fico pensando: ‘quem foi o maluco que teve uma ideia brochante dessas?’. Mas é em nome da ciência.

Muitos poderão dizer que estou reclamando demais, que existe jeito, que tenho que correr atrás, lutar, ser exemplo. Mas já tenho estado tão desanimada da vida, que acho que vou morrer assim. Espero que a minha situação melhore, que essa onda de baixo astral suma de uma vez por todas. Que amanhã eu vista a causa, procure ajuda, busque minha cura. Que eu tenha coragem de vestir minhas roupas, de não me importar com o mundo ao meu redor. Que eu acorde, olhe no espelho e diga: Bom dia Phillipe.

Tá na hora de fazer essa barba senão o capitão te manda umas 300 flexões por ter aparecer com cara de ontem.

Tudo o que eu mais gostaria agora é deitar e acordar amanhã, sabendo que tudo não passou de um grande pesadelo.

A foto desse boy me dá um nó tão grande na cabeça!

Emocionante, não é mesmo? Pra nós que somos cisgêneros (pessoas as quais o sexo biológico está de acordo com a identidade de gênero) é muito fácil ver as fotos de ‘mulheres’ naquele post que fiz sobre transexuais e dar os parabéns pela mudança, mas só eles sabem o quão difícil é a transformação.

Sem contar a própria aceitação da sociedade, machista como é, jamais vai admitir que uma mulher seja considerada 100% homem sem a existência de um pênis (basta observar os comentários das gays NESSE post).

Infelizmente nós ainda não conseguimos entender que não é um pedaço de carne balançando no meio das pernas que diz quem você é.

Sugestão de leitura: Becoming Bernardo, capixaba tira fotos diárias durante a sua transformação.

52 comentários sobre “Female to Male – O gueto da Transexualidade

  1. Muito emocionante. Adorei a sinceridade do Philipe. Nunca li algo tão sincero e tocante.

    É interessante notar que hoje em dia todo o mundo pode falar sobre a sexualidade. Qualquer um tem autoridade para dizer o que é um homem e uma mulher. As pessoas simplesmente ignoram a parte psíquica.

    Por diversas vezes já ouvi comentários pejorativos de homossexuais sobre travestis, transexuais e afins. Falam como se eles fossem mais humanos do que aqueles que se ‘transformam’, tornando-se ‘aberrações’ para a sociedade.

    O que está faltando mesmo é mais informação, mais humanização E MENOS PRECONCEITO.

    Como não tenho muito conhecimento sobre o assunto, o que me resta é desejar boa sorte. ^^

  2. Credo, me sinto exatamente assim tbm… Penso q essa tortura nunca vai passar, visito esses blogs GLBT como forma de consolo, informação e estímulo para me aceitar e me “assumir” um dia. Desde criança digo que se houvesse uma fórmula mágica eu mudaria de sexo… Estou tentando na medida do possível adquirir uma autonomia profissional e financeira para tentar me libertar da minha própria inibição e limitações. 🙂 FORÇA colega! Obrigado pelo post Max…

  3. Amo FTM’s, tão lindos!

    Gente, assim todo mundo vem nessa vida pra aprender alguma coisa, certamente os pais dele nasceram para descobrir que não podem ter tudo na vida (isso é o caso de todos os pais que não queriam ter filhos gays, mas piorado em 200% por causa do machismo no caso de transexuais).

    Amor é uma coisa linda demais, amamos nossos pais, não queremos decepcioná-los, mas nossos pais tem que aprender a nos amar também independente de quem somos, como queremos ser.

    Acho que esse deveria ser meu conselho ao futuro Phillipe (gente pq ph+ll???):
    Ir devagarinho, começar a se aceitar, se expor aos poucos a família, tentar fazer eles entenderem a situação… O resto do caminho é mais o que ele quiser fazer. Se manter infeliz é inconsistente com a crença do amor dos pais, quem ama, quer ver o outro feliz, não infeliz!

    • Tem uma discordância aí, a OMS determinou ser uma doença junto com a homossexualidade lá na época, a homossexualidade provaram que não é, mas a transexualidade ainda não, logo, permaneceu lá no rol das doenças.

      • Mas é uma doença que cabe tratamento ou o único tratamento possível é a cirurgia de mudança de sexo?

        Tratamento hormonal, psicológico…É possível “curar” um transex?

        Já ouvi relatos de pessoas que se auto-mutilam, em uma tentativa de retirar o órgão que “define” o gênero.

        • Obviamente, é uma ‘doença’ muito séria de se tratar. Eu não poderia chegar amanhã numa primeira consulta com um cirurgião plástico e mandar tirar essas porcarias daqui. Tem uma enorme burocracia para garantir que o paciente não esteja equivocado de seu desejo.

          Basicamente, é obrigatório um mínimo de 2 anos de tratamento psicológico à fio, psiquiatra, e tratamento hormonal. O tratamento hormonal começa logo inicio, depois que o psicologo entende que realmente vc é transsexual, e o psiquiatra confirma que você não está pirado. O resto do periodo é apenas tratamento de rotina pra ver como suas emoções se manifestam com as mudanças que o corpo está sofrendo, se a aceitação está sendo boa, e se a ‘vontade’ continua a existir. No fim do prazo, digamos que os médicos se dão por vencidos e autorizam a cirurgia de redesignação sexual, que para ftms são várias.

          Para entender pq existe isso há um ano atras saiu a noticia de um cara que: nasceu homem, disse que era transsexual, fez as crirugias, trocou de nome, passou a viver como mulher, ai decadas depois, resolveu que estava equivocado e desfez o processo todo, pra retornar a ser homem. Lá fora é assim: algumas consultas + $:cirugia feita. Pra quem tem absoluta certeza, é ótimo. Pra quem não tem, só vai ter dor de cabeça com processos aqui e ali contra os medicos u_u

          A unica vantagem para nós ftms e que, como não temos uma cirurgia nos orgãos genitais que seja considerada satisfatória, não somos obrigados à fazê-la para ter o direito à mudança de nome e gênero oficialmente. No caso das mtf’s é obrigatório que se faça a retirada do pênis e a construção de uma vagina, pq as cirurgias são completamente satisfatórias.

          “É se não tiver dinheiro pra bancar isso, ou vagas nos hospital publicos?”

          Meus pesames.

        • Eu tinha respondido isso aqui, mas acho que apertei o botão errado D: Não aparece!

          Enfim: não é assim a ‘deus dará’. São necessarios 2 anos de tratamento psicologico, psiquiatrico e hormonal, para conseguir o aval das cirurgias.

      • O DSM (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders), que é a maior autoridade em termos de transtornos mentais e de comportamento, classifica o transexualismo como um Distúrbio de Identidade de Gênero. Para se ter uma idéia, até o luto está na lista! Numa sociedade onde estamos obrigados a produzir, sermos úteis e gozar ao máximo, para manter a engrenagem do consumo rodando, até o luto virou um “distúrbio” que deve ser tratado e se possível medicalizado tão logo depasse o tempo julgado “normal”, para que o indivíduo possa enfim “seguir em frente” (“quando a gente anda sempre em frente, não pode ir muito longe”, já dizia o pequeno príncipe)… Mas voltando à transexualidade (ou não), a BRILHANTE historiadora e psicanalista francesa Elizabeth Roudinesco, num livro que li recentemente (A Parte Obscura de Nós Mesmos – Uma História dos Perversos), nota sobre a volúpia taxonômica, puritana e voyerística do DSM, herdeiro de uma tradição positivista e eugênica da ciência do séc. XIX, que ele, ao tentar domesticar as paixões e até perversões humanas num manual, tenciona abolir qualquer noção de liberdade, de rebelião, de caos e até mesmo do mal, doravante tido como “desvio”. O que eu quero dizer com tudo isso é que manual nenhum, DSM, OMS o que sigla seja, tem autoridade para dizer o que é uma distúrbio mental nesta terra dos homens (Exupéry de novo rs). A pergunta a se pôr é: a vida de alguém que anseia fugir de um molde insuportável já não é uma doença? Eu desejo muito boa sorte e muita coragem ao Philipe (lindo nome!).

  4. Alguém sabe informar se realmente terá a parada gay de Campo Grande, em Cariacica como foi dito na parada de Porto de Santana…

  5. Philipe gata(o), o que é mais importante pra você? Sua família ou o SEU DESEJO DE SE SENTIR BEM DO JEITO QUE VOCE QUER? Sem mais, brigadã.

  6. Eu sou o primeiro transhomem operado no Brasil em 1977.
    Vocês já leram meu livro que recebeu dois prêmios?
    Viagem Solitária- Memórias de um transexual 30 anos
    ADQUIRA TB NA Livraria Saraiva
    http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/produto.dll/detalhe?pro_id=3677270&csParam=%7B%22feature%22%3A%22viewpersonalized%22%2C%22source%22%3A%22Home+Principal%22%2C%22recType%22%3A%22viewpersonalized%22%7D
    Meadiciona: http://www.meadiciona.com/joaownery .
    Leiam o artigo que escrevi sobre o pênis este mês:
    http://revistatrip.uol.com.br/so-no-site/notas/quotnao-e-o-penis-que-faz-o-homemquot.html#0
    Existe hoje uma cirurgia mais moderna que a faloplastia que o rapaz descreve, que é a metoidioplastia, onde não se perde nenhuma sensibilidade e se aproveita o próprio clitóris já aumentado pelos hormônios.
    Não há nada de anormal com os transhomens e nem precisam de cura e nem todos desejam se operar.
    Assistam a algumas entrevistas:

    http://obabadoecerto.gay1.com.br/2011/10/joao-w-nery-por-ele-mesmo.html
    http://www.canal.fiocruz.br/video/index.php?v=transexualidade
    Quem precisar de ajuda pode me procurar no facebook ou pelo email joaownery1@hotmail.com.
    Leiam o livro que ficarão entendendo tudo sobre o assunto.

  7. Sou o primeiro transhomem operado no Brasil em 1977.
    Há alguma informações erradas no depoimento acima. Hoje há uma cirurgia mais moderna que a citada, que é a metoidioplastia, aproveiando o próprio pênis já aumentado pela testosterona.
    A transexualidade no caso, é masculina e não feminina e não precisa de cura, pq não há doença, embora a OMS a considere como um “transtorno de identidade de gênero. Qto ao pênis, acabo de escrever um artigo sobre isto:http://revistatrip.uol.com.br/so-no-site/notas/quotnao-e-o-penis-que-faz-o-homemquot.html#0
    Escrevi tb um um livro que já recebeu dois prêmios: Viagem Solitária – Memórias de um transexual 30 anos, que pode ser comprado rb na Livraria Saraiva: http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/produto.dll/detalhe?pro_id=3677270&csParam=%7B%22feature%22%3A%22viewpersonalized%22%2C%22source%22%3A%22Home+Principal%22%2C%22recType%22%3A%22viewpersonalized%22%7D
    Meadiciona: http://www.meadiciona.com/joaownery
    Veja algumas das minhas entrevistas:

    http://obabadoecerto.gay1.com.br/2011/10/joao-w-nery-por-ele-mesmo.html

    Quem precisar de ajuda me procure no facebook: joaowneryII.

    • Transexualizar para o sexo masculino é uma coisa, mas o termo transexualidade remete a quem “possui” a transexualidade, o transtorno (uma vez que é um adjetivo), logo, se a pessoa é inicialmente do sexo feminino: transexualidade feminina, transexualidade da fêmea (o sexo inicial de quem é o transexual e vai transexualizar esse sexo para o masculino)

      Etimologia básica.

      • Compreendo que não existe transexualização no transexual, apenas readequação, uma vez que a identidade de gênero já é definida desde o nascimento. Mas eu trabalho com a língua, a escrita, e para me fazer entender sou obrigado a usar os termos preconceituosos que ela contém.

    • João, de qualquer forma, agradeço a sua presença aqui, pois você é um ícone no meio LGBT, e mais ainda importante para os FTMs.

      Quando me referi à faloplastia, você bem pode ler que eu disse que ‘PARA MIM’ essa cirurgia é estúpida. Eu não faria nem se você me pagasse. E enfatizei em outro momento que tenho o meu orgulho. Se não for satisfatório, eu não desejo. Eu, Phillipe, não usaria um pedaço de carne ‘morto e inflável’. E comentei apenas sobre a faloplastia pq a meu ver, é a menos ridícula das cirurgias no orgão genital. Automaticamente, eu já excluí a metoidio, que A MEU VER é mais infeliz ainda. Pra quê sensibilidade, se a penetração é quase impossível? Se um homem com 15 cm pra lá, não consegue resolver muita coisa, o que míseros 5 cm pode fazer? EU penso assim. Volta-se a estaca inicial, onde eu vou ter de continuar usando Strap-On pra satisfazer minha esposa.

      Seja menos grosseiro conosco, por favor. Sou um fã seu. Não disse nenhuma informação errada em meu depoimento. Sempre li muito, participo de várias comunidades sobre disforia de gênero e ftms. O único objetivo de relatar tudo isso e trazer ao blog do meu amigo é ajudar mais pessoas como nós, trazer mais visibilidade e entendimento acerca do assunto. Todos estão aqui para aprender um pouco mais. Eu fiz um depoimento sobre minha vida, e não sobre a transexulidade masculina, pra ter a obrigação de relatar todos os timtim-por-timtins.

      Abçs, e sucesso com seu livro.

  8. Adorei o texto, e o achei bem tocante e emocionante.

    E acho que por mais que as pessoas não entendam, sim, família, mesmo a mais ”cabeça-fechada” delas, é importante.

    Quanto ao caso do Philipe, é complicado dizer, por não vivenciar o que ele sofre. Pelo que eu li, vc realmente sofre em ter que se passar por mulher, mas ao mesmo tempo não quer perder o respeito da sua família, dos amigos que não sabem sua real sexualidade, e cia.

    Bom, como eu não sou especializado nisso, eu realmente recomendo que você procure conselhos de um psicólogo, para tentar amenizar essa dor que vc sente, de alguma forma.

    • Ge, é isso mesmo “E acho que por mais que as pessoas não entendam, sim, família, mesmo a mais ”cabeça-fechada” delas, é importante.”

      Man, eu fui adotado.Tem noção?

      Já fiz tratamento por um tempo, mas tive que parar. Pretendo voltar em breve.

      abçs

  9. Max, eu tenho uma dúvida. Nesse Becoming Bernardo, com 112 dias de tratamento hormonal, ele postou umas fotos dos pelos que estão nascendo pelo corpo. Eu queria saber como que funciona esse negócio de pelos no corpo da gente. Porque eu que sou ocó, com 19 anos na cara, não tenho nada de pelos no peito e nada de pelos na barriga, e mesmo a minha barba ainda tá penando pra nascer. Tem como mudar isso? Tomar hormônio no meu caso seria ~muito~ perigoso? Existe outra maneira de fazer meus pelos “crescer e engrossar”?

    • Você só tem 19 anos, dependendo da etnia, do histórico da família e de uma série de outros fatores seu corpo pode demorar um pouco mais para representar as características sexuais secundárias.

      Vá num endócrino, eu também tinha o mesmo problema e fui. No MEU CASO descobri que tenho hipogonadismo, eles sugeriram tomar, mas eu optei por não usar o hormônio, isso porque as minhas gônadas não agiram em nada no meu corpo e achei que a mudança seria radical demais. (Mentira, a beesha quer ficar meio caminho andado pra ser trava hahaha)

      Mas se o seu corpo já é formado e seu único problema são os pelos (ou seja, é apenas estético), pode tomar sim, eles vão te dar doses pequenininhas e tal, o máximo que vai acontecer é você ficar um pouco mais agressivo, devido à testosterona. Mas depende também do que ele vai administrar, tem remédio pra estimular que o próprio testículo produza, tem hormônio injetável, são várias as opções e os efeitos colaterais.

      • Acho que meu corpo já é formado sim, até porque da cintura pra baixo eu faço cosplay da Monga rsrs. No meu caso deve ser histórico familiar, meu pai nunca teve pelos no peito e barba mesmo, pra ele, só começou a crescer depois dos 20 anos. E foi isso que me intrigou, se a testosterona faz nascer pelos em um FTM, talvez signifique todos podem ter pelos no peito e eu só precise de um empurrãozinho hormonal pra driblar a minha pré-disposição familiar em não ter. Valeu Max, vou ver se consigo marcar uma consulta.

        • “e a testosterona faz nascer pelos em um FTM, talvez signifique todos podem ter pelos no peito e eu só precise de um empurrãozinho hormonal pra driblar a minha pré-disposição familiar em não ter.”

          Sim, that’s your answer

    • São muitos mesmo. Mas acredito que o maior exemplo seja o Balian, o cara das fotos da postagem. Ele realmente ficou muito bonito. Tem uns brasileiros tb que ficaram muito bem. Não é verdade, Max? ;D

  10. gostei da matéria amigos ,parabéns a divulgação ,o Espírito santo precisa de mais discusões e debate sobre a transexualidade femina e masculina, a luta contra o preconceito e a desinformação persiste.valeu babado certo!!

  11. Phill, gato, precisamos arrumar uma solução pra vc. Eu vi que realmente a sua família pesa muito nas suas decisões. Mas viver infeliz, depressivo é pior. Eu tive depressão uma vez – não por causa da minha opção sexual – foi por outro motivo – e sei o quanto é difícil. Mas acho que ainda restam opções pra vc: vc continuar a usar as roupas de homem que te fazem sentir bem e entre numa academia e treine como homem para os músculos ficarem mais volumosos e acredite se voce treinar muito peito – já que vc tem pouco – é capaz de eles diminuirem mais ainda porque vc vai acabar elimininando a gordura dos seis e ficar com a parte mais musculosa – tem uma mina na cademia que eu vou que tá assim (mas ela nao é lesbica ela é bodybuilder amadora); outra opcção acho que essa não será sua opção é vc fazer um tratamento e `tentar` se é que é possível, ser uma menina que gosta de menina. Bom, vou falar de mim, eu adoro ser homem e em nenhum momento usei roupas femininas ou quis ser mulher, eu gosto de ser homem que gosta de homem e quero ao máximo ser cada vez mais masculino e é isso que me faz feliz, ser masculino e catar outro cara bem masculino. (Nada contra as pintosa tá, to falando de mim). Bem, resta saber qual será sua opção, mas eu ainda acho que vc deve só em voce. Adianta vc fazer os outros felizes e continuar infeliz? Ponha-se em primeiro lugar. Bjitos.

    • Olá Bee, eu entendo seu ponto de vista. Eu malho também. Tava parado pq minha mãe ficou doente e eu arrumi as rédeas da casa enquanto ela se recupera.
      Essa questão de me sentir homem é tão real e verdadeira, que depois que me entendi, meu corpo mudou muito, digamos que só pela força de vontade. Antes eu era androgino,com rosto mais feminino. Hoje, se eu tivesse o cabelo curto, não seria tão fácil dizer que estou mulher. Nasceram muito mais pelos pelo meu corpo, principalmente pelo rosto. Felizmente, meu corpo reage bem. O que me falta são umas gotinhas de testosterona pra ficar nos ‘trinques’ AHUSAHUSHAS

      É muito dificil mudar tão radicalmente. Eu estou buscando minha independencia, sair de casa. Aí sim, poderei preparar meu psicologico e fazer minha mudança.

      bj 🙂

  12. Descobri hoje esse endereço. Como fazer para entrar em contatos com pessoas que nasceram assim como eu? Homem demais para um corpo de mulher. Sinto-me em uma prisão, e os anos vão passando e consumindo…

  13. to fazendo tratamento hormonal ha 1 ano e imfelismente ainda tenho muitas duvidas,ainda tem muitas coisas q preciso saber,foi muito bom encontrar vcs aqui,se td der certo logo logo faço a tao sonhada mastectomia!

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