Pedro Bial comanda “Na Moral” em defesa da união gay


Demorou, eu sei, mas é muita correria pra pouco tempo.

“E lá vem a noiva. Não. Lá vêm as noivas. O mundo está perdido ou o mundo está mudando?” Com essas palavras, Pedro Bial iniciou um programa diferente: duas noivas (Aline e Simone) no palco, se preparando para o casório a ser realizado ali mesmo, em rede nacional, para milhões de telespectadores.

Bial trabalhou com o conceito de família, acima de tudo. Conversou com os filhos, trouxe outros casais para o debate e, inclusive, mostrou a postura contrária de algumas pessoas, como por exemplo, o juiz Luiz Marques, que negou o pedido de conversão de união estável em casamento civil do estilista e ativista Carlos Tufvesson, titular da Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual (Ceds) da Prefeitura do Rio de Janeiro.

Finalmente um programa de utilidade pública. Finalmente, os dois lados da moeda, um passo a mais pra evolução do Brasil. Pedro Bial conseguiu se redimir comigo.  A cerimônia foi celebrada por Maria Berenice Dias, ex-desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS), atual presidente do Instituto Brasileiro de Direito da Família e um dos principais nomes na defesa dos direitos LGBT no Poder Judiciário.

Acho que nem todo mundo percebeu a importância desse compacto da Rede Globo, entretanto, foram os nossos 30 minutos de glória! Após anos de invisibilidade, a causa homossexual começa a ser inserida na casa das pessoas através da maior e mais poderosa emissora do Brasil. Beijo não teve, mas aconteceu a troca de alianças e votos (chorei litros), a celebração do amor de duas lésbicas, o fato de que uma família diferente também é família estava lá.

Pra fechar com chave de ouro, fica uma daquelas frases do Bial: “Hoje em dia, os homossexuais são os únicos que insistem em lutar pela instituição do casamento. E mesmo assim, ainda teimam em negar esse direito a eles”.

22 comentários sobre “Pedro Bial comanda “Na Moral” em defesa da união gay

  1. Apesar da definição ridícula de papéis de gênero, colocando a “mais masculina” como “o homem da relação”, achei lindo e chorei… Já quero o meu. Com direito à tia crente dançando “Whisky a Go Go” descalça e com o bolso cheio de quibe.

  2. Bacana ressaltar também, como a Gloria Pirez foi leve, simpática e entrou no clima do programa. Nota 10 para ela que apoiar a causa dizendo a palavra chave. ” Quando se tem amor, vale tudo”

  3. Não vi o programa (correria!), mas gostaria de comentar algo baseado na foto.
    Muitos gays, e heteros, na hora de discutir o casamento civil entre pessoas (duas, só duas) do mesmo sexo, se confundem. Uma coisa é o casamento civil, sob os olhos do governo e da justiça. Outra é o casamento religioso, sob os olhos de D’us, com fraque, vestido de noiva, véu e grinalda.

    Eu acho ridículo posar com roupas da tradição religiosa (no caso de pessoas do mesmo sexo). Pois não se está lutando pelo casamento na igreja, e sim o casamento civil. Dai confunde os HT tudo!!! Rs

    • Concordo plenamente, essa é uma percepção pertinente já que revela uma desordem ideológica entre o direito o qual procura-se exercer e um valor institucional católico, belo e tradicional, mas apenas uma falácia para casais não heteros. Ainda mais quando coloca-se um casal de mulheres no qual uma delas faz a parte do homem e age como um noivO.

  4. “Hoje em dia os homossexuais são os únicos a lutar pela instituição do casamento” é uma frase bonita e de efeito, mas pode ser lida pelo avesso. Às vezes, vendo como os casais gays fazem questão de exibir como são uma família “direitinha”, como que para angariar simpatias, eu fico até com uma certa melancolia. Sartre, já nos anos 50, declarou o casamento uma instituição falida, o que se provou verdadeiro, e eis que agora os movimentos gays (o que é diferente de “os gays”) querem repetir a história como farsa. Direito a quê? À obsolescência do casamento? À sanção do Estado a uma paródia de uma instituição caduca? Acho que deve haver no fundo disso tudo a tentativa de resolução de um complexo de rejeição coletivo, é a única explicação que encontro. Legalmente, não há nenhuma diferença entre um contrato de união estável e um casamento – aliás, há: o contrato de união estável, por assumir o regime de comunhão parcial, garante melhor a equidade na distribuição dos bens adquiridos em comum do que alguns regimes de casamento. Sei que o meu ponto de vista não é popular, mas essa história de gays querendo se casar é uma patetice, e a ironia é que isso só contribui para validar o casamentozinho pequeno burguês podre e ridículo como “o verdadeiro” modelo de família. Isso é jogar o jogo do adversário. Melhor seria deixar esse modelo de família brasileira suburbana nelson-rodriguiana “die a death”, como dizem os ingleses, nas mãos dos últimos cafonas que ainda acreditam nele – tipo, os evangélicos, aliás agora todo excitadinhos com a inesperada oportunidade de defender essa bosta de família. Revolucionárias eram as “bichas loucas” dos anos 70; elas ficariam passadas em ver gays querendo se transformar em donas-de casa- no século 21 rs…

    • Achei brilhante a sua análise e até concordo em partes. Só tem duas coisinhas que eu gostaria de ressaltar: por mais que o casamento seja uma instituição/modelo familiar em decadência, ainda há pessoas dispostas a se casarem. Seja por pressão dos modelos sociais ou por uma necessidade real do sujeito, a questão é que há indivíduos que querem isso para as suas vidas e a sociedade precisa garantir esse direito a essas pessoas. Ser uma “bicha louca” dos anos 70 é maravilhoso… Pra quem QUER isso pra sua vida. A decisão sobre o que fazer com sua vida, cabe ao sujeito, não à ideologia de terceiros. Quanto ao contrato de união estável, ele não dá todos os direitos que o casamento civil dá. Dá uma pesquisada que você vai ver… Por exemplo, a pessoa que opta pela união estável tem direito a uma parte menor do patrimônio da pessoa que faleceu em comparação com uma pessoa na mesma situação que tenha optado pela união civil. A união estável também não garante a adição do sobrenome d@ parceir@. Pra alguns, são apenas questões simbólicas sem importância. Pra outros, é a concretização do sonho de uma vida. Pra mim, essa análise que você fez é maravilhosa, do ponto de vista teórico. Na prática, é um discurso que desqualifica de forma ditatorial qualquer via de criatividade na construção de outras possibilidades de existência. Afinal, quem elegeu a vida das “bichas loucas dos anos 70” como a forma ideal e perfeita de se relacionar com o mundo?

      • Eu citei as “bichas loucas” como um símbolo de ruptura, não de um modelo de vida; uma ruptura que recusava o modelo moribundo do patriarcado brasileiro na sua versão urbana (que eu chamei nelson-rodrigueana), e se lançava no vazio, como os verdadeiros precursores, que sabem do que querem fugir mas nunca exatamente aonde querem chegar ou que estão fazendo (todo discurso sobre a mudança só vem quando a mudança já está, no mínimo, em curso avançado). O que eu vejo agora é um travestismo perverso (masoquista?) de ativistas gays em ativistas conservadores. O que esperar depois, a Marcha da Família Gay com Deus Pela Liberdade? No começo, quando eu comecei a tomar conhecimento dos horrores de gays se casando em arremedos de cerimônias religiosas, eu cheguei a achar que essa caricatura grotesca tivesse por finalidade desmoralizar tudo pelo deboche, o que é até uma técnica eficaz, diga-se de passagem, mas agora eu vejo que a coisa é séria mesmo. Não estou generalizando, sei que a maioria, inclusive, não está nem aí para essa história toda, que é coisa de militância (sem querer menoscabar), longe da realidade dos gays de carne e osso que existem. Agora, é uma pena que seja esse discurso pobrinho que a militância tenha adotado. Um tiro no pé! Tudo o que os hipócritas sempre pediram a deus foi um exército de “pervertidos” investindo contra a sagrada família deles, já caindo de podre, para que eles a pudessem reinaugurar, ÀS NOSSAS CUSTAS! Afff, tanta inteligência desperdiçada…. dou minha cara a tapa se mais de 1% das ditas lideranças gays tiverem lido, sei lá, A História da Sexualidade, de Foucault, que seja! Nem o basicão! Em vez de questionar paradigmas, de lembrar aos outros que os valores que regem o mundo não são um dado da natureza, mas um discurso em permanente construção, não!, vão exigir o “direito” de fazer parte disso que está aí.

        Ah, e desculpa se os comentários são longos, chatos e pedantes rs. Eu admito que não têm nada a ver com o espírito leve e divertido do blog, que eu adoro.

        • Adoro seus comentários, confesso que ovulo três ovócitos a cada vez que você verbaliza um substantivo/adjetivo hahahahaha

        • Vitor, realmente entendo o seu raciocínio. Entendo melhor agora o uso do exemplo. Mas ainda digo: sou a favor de que cada um faça o que bem entender da sua vida, que cada um faça o que lhe faz feliz. O mínimo que a sociedade deve fazer é garantir o direito a isso. Acho que uma coisa não impede a outra…

          • Sim, estamos de acordo. Cada um deve buscar o que o faz feliz.

            Mas, deixando de lado as minhas teorias furadas e verborragias, eu vi o programa porque a minha mãe me ligou e perguntou se eu estava vendo a Globo. Eu respondi que sim, que eu estava comendo na frente da TV vendo Gabriela. Ela disse que queria que eu visse o programa que começou e ficou toda apressada em desligar. Daí que eu fui ver que era sobre casamento gay (quando acabou Gabriela, eu me voltei de corpo e alma para o meu prato e nem reparei no que tava passando). Acho que foi o jeito dela de dizer “você devia casar”, ou sei lá o quê haha.

            Não liguei de volta até hoje.

          • Interessante o posicionamento da sua mãe, e é cada vez mais comum entre as mães modernas que aceitam os seus filhos, mas ainda guardam valores “cristãos” (entre aspas porque tem mães de outras religiões, mas não significa que não tenham sido influenciadas pela cultura brasileira).

            Passei com mamãe uma situação parecidíssima, quando ela chegou aqui em casa com um recorte de jornal que falava sobre o pagamento de pensão a uma sapa, após a morte da sua parceira, que era militar.

            A cara dela de “quando é que você vai arrumar um marido, hein?” era impagável… tadinha, mal sabe que vou morrer solteira com 7 gatos siameses num apartamento.

  5. hoje o tema de muitos e bial falou sobre budismo e nada do que estaõ falando sou tania de florianopolis sc , budismo e como vc esta com seu espelho interior suja e vc faz o mantra pra limpar e muito mais coisas sobre o budismo q vcs são legos ao assunto , vcs tem muito q aprender sobre tudo e pricipalmente felicidade , naõ e nada disto q falam , sem mais nada a declarar pois sei como vc pode ser feliz sem ter bens materiais bjokas sejam mais conhecedores do seu ser , este poesia do bial e muito dramatizadou seja ais autentico bial conheçe a felicidade está em coisas mais simples q vc nem se dar conta viu olhe pro lado ai vc vai entender melhor até breve

  6. Serviço de utilidade pública:está disponível na internet a “Cartilha LGBT para as eleições 2012/2014” com a lista de candidatos que não devem de maneira alguma serem votados pela comunidade LGBT.vEJAM E POR FAVOR DIVULGUM!!!!!!!!
    https://docs.google.com/file/d/0BymXfmkIzPAGNTM2YWFkODctN2YzYy00OWJiLThkOTctMzU3ODRjYmRiOWYx/edit?pli=1
    A MATÉRIA ESTÁ DISPONÍVEL NO SITE UOL:http://eleicoes.uol.com.br/2012/noticias/2012/07/28/cartilha-gay-diz-que-homossexuais-nao-devem-votar-em-candidatos-do-pr-e-do-pp.htm
    Divulguem, por favor!

  7. Não tinha assistido ainda, como chorei. Foi um programa lindo, um casamento lindo. Super agradável ver essa postagem no blog.

  8. sou gay e acho q as pwssoas deveriam aceitar como isso fosse de uma certa maneira normal, e não anormal mas eu sei q um dia nós gays ainda teremos nossa liberdade de andar de mãos dadas na rua sem que ninguém possa achar ou dizer o q sevemos faer !!!!

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