A música sertaneja e a homofobia


Essa semana acordei pela manhã, tomei café, fiz minha chuca matinal e misturei a argamassa com água pra iniciar o reboco da cara pra ir pra Ufes. De repente, comecei a ouvir um som que vinha da casa do vizinho, e dizia assim:

“Olha aqui seu cabeludo, ‘pioiento’, cheio de argola.

Vamos ganhar o repente no ponteio da viola.

Conhecemos sua fama, seu roqueiro meia-sola.

Você dá uma de machão, mas no fundo é boiola”

Fiquei enfurecida com a música e logo perguntei a papai, nascido em Nova Venécia e amante da Moda de Viola, que música era aquela. Ele respondeu: “Ah, é uma música do Teodoro e Sampaio que fala de rockeiros, uma grande bosta diante do que eles já foram na minha época”.

Sendo Teodoro e Sampaio eu até compreendo: idosos, antigos e cantam sertanejo desde a época que tocavam lira na Babilônia, era de se esperar que chegassem a esse ponto com a carreira em decadência. Além disso, o sertanejo surgiu numa época com muito mais preconceitos, com divisão sexual dos papéis sociais e que todo viado pra ser viado, tinha que ser feminino.

Masculinãm...

Até aí tudo bem, pensei com meus botões, deve ser um caso isolado, pois pouco ouvi falar de músicas homofóbicas no sertanejo, afinal, a mídia dá muito mais ênfase pro machismo e a homofobia no Funk, enquanto exaltam o sertanejo como “cultura tipicamente brasileira”, “o som do brasileiro puro”, “a voz do povo que não sabia ler”… é… não sabia ler, mas os Jesuítas nunca precisaram alfabetizar pra enfiar o Cristianismo, com seus inúmeros preconceitos, na cabeça de ninguém.

...prá garáleoãm

Só que nos últimos dias não se reclama de outra coisa além da música “Bruto, Rústico e Sistemático” de uma dessas novas duplas (que se reproduzem como baratas), chamada João Carreiro e Capataz.

Então vamos ouvir, vomitar e ver nossa menstruação descendo mais cedo, juntchêenhas?

Que coisa linda, agora “criação” é desculpa pra ser homofóbico na Grande Mídia sem ser processado? Aliás, nem precisaria ser tão discreto, com Bolsonaro chamando a presidenta do país de sapatão em Rede Nacional, sem ser preso, eles poderiam fazer apologia à violência que não teria problema algum… É “ARTE”.

Sabe o que eu acho mais engraçado? É um público que usa calças mais apertadas que as leggings das patricinhas marombeiras, blusas baby-looks mais justas que das pocket-travas da Praça dos Namorados e botas com cano mais longo que da Julia Roberts em Uma Linda Mulher. E querem falar PRA MIM que o decepcionante para os valores e bons costumes da época é homem beijando homem?

Lindo, MAS SÓ NO MURILO! Aliás, nos DOIS Murilos

Menos, gatos, bem menos, e chamem Glória Kalil, em nome de G-zuis, pra resolver esse problema. Porque eu não aguento mais passar em frente à UVV e ver aquele povo da Veterinária fantasiado de Tião da novela América, em pleno sol de meio-dia na cidade.

p.s.: Parece que é típico dessa dupla criar músicas que atacam os gays, dá uma olhada na chamada Ditado Sertanejo. Rolou até protesto por causa desse bafo todo.

Agradecimentos aos que me mandaram dicas no Facebook, esse blog não seria nada sem a ajuda das senhoras, muah ;*

Potra.

42 comentários sobre “A música sertaneja e a homofobia

  1. Acho que além das “calças mais apertadas que as leggings (podendo também ser Skinny), as blusas baby-looks e botas com cano mais longo que da Julia Roberts em Uma Linda Mulher.”… também gastam mais dinheiro em salão do que mulher com unhas, cabelos (principalmente), sobrancelhas, massagens etc (veja o caso do Frank Aguiar). kkkk Acho que “Metrossexual” é um disfarce e uma desculpa para “Homossexual”, tanto no nome quanto na pessoa. kkk

  2. Além das “calças mais apertadas que as leggings (Skinny, pra eles), as blusas baby-looks mais justas que das pocket-travas, e botas com cano mais longo que da Julia Roberts” podemos dizer que gastam mais dinheiro com salão do que do as mulheres:é cabelo, sobrancelha, unhas, massagem etc. “Metrossexual” é um disfarce perfeito para o nome “Homossexual”

  3. Conheço bem esse tipinho…
    Sai pra fazer troca-troca com os amigos e fala pra esposa que está indo “acampar”, e quer o almoço pronto quando voltar!

  4. “deve ser um caso isolado, pois pouco ouvi falar de músicas homofóbicas no sertanejo”

    Engraçado, pois pra mim o sertanejo sempre me soou mais homofóbico que qualquer outro ritmo, não só pelas músicas em si, mas pelo “comportamento” de parte de seus ouvintes.

  5. Piores ainda são os comentários do video no youtube! Fiz questão de acessar a página do vídeo só para clicar em “não gostei” 😦

    • Fiz o mesmo e também fiquei chocado em como as pessoas realmente acreditam que elas NÃO SÃO obrigadas a aceitar as diferenças, como se a Constituição Brasileira não fosse porra nenhuma nesse país.

      • O que esperar de um povo, que em uma reunião do Senado, exclamou que a Constituição não é maior que a bíblia??

          • É muito mais fácil para um país de ignorantes se preocupar com a vida alheia a se preocupar com o que realmente importa. Respeito muito a igreja, creio em Deus, mas já tá demais o tanto que a igreja influencia na política. Que país LAICO é esse?? Eu já não aguento mais ao zapear pelos canais de tv, ver o Silas Malafaia falando tanta porcaria, e incentivar tanto ódio contra os homossexuais. Vai falar do amor de Deus por TODAS as pessoas, que é muito mais importante, Sr. Pastor.

  6. Max, acho que vale um post sobre a homossexualidade na MPB. Fiquei sabendo que até o finado(kkk) Wando já fez música sobre os gays!

      • Não gato, não falo exatamento sobre homofobia. Mas falo sobre como a homossexualidade é retratatada na MPB. Claro que tem homofobia, mas também tem, como eu citei, casos como o do Wando, que diz sobre ser gay.
        Tem um samba do Martinho da Vila, Corda e correntes, nunca ouvi a música, só conheço a letra. É um samba muito bonito.

  7. Violência contra a mulher, homofobia e discriminação geral sendo ”justificada” por uma criação interiorana? Esses dois imbecis conseguiram ser mais escrotos que qualquer outra merda desse meio. Não generalizo pq sei que tem sertanejo que faz um trabalho sério e canta o amor e suas dores, mas cantar o preconceito já é absurdo! Chitãozinho e Xororó estão há 40 anos na estrada e nunca precisaram ofender ninguém de forma tão baixa.

  8. Esse povo pega umas meninas, toma cerveja, aperta o saco com a mão e acha que já é homem.

    Homem sou eu, meus amores, que sofri mto preconceito durante a infância e mesmo assim tenho amor-próprio.

    Sou mais homem (e mais mulher) que muita gente estereótipo aí.

  9. A materia rústico e sistemático foi até tema de filme dos Cowboys da Montanha… kkk
    E conheço uma cidade do norte do estado com nome de árvore no plural onde existem vários chucros que adoram fazer mulher e se fazer mulher…
    TÁ MEU BEIM!!!!!

  10. Bem na boa que eu sou do tipo a favor de juntar váááááárias bichas num grupo e quebrar a cara desses homofóbicos filhos da puta, o deputado Bolsonaro seria o primeiro!!!! Falam do preconceito como se fosse algo lindo, que os tornasse melhor que as pessoas que tem um pouco de bom senso e sabem repeitar os outros.

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