Primeira travesti a fazer doutorado no Brasil defende tese sobre discriminação


Antes de se tornar supervisora regional de 26 escolas públicas e ingressar no doutorado em Educação da Universidade Federal do Ceará (UFC), Luma Andrade foi João por 30 anos. Na escola, apanhava dos meninos por querer parecer uma menina. Em uma das vezes que foi espancada, aos nove anos, queixou-se com a professora e, ao invés de apoio, ouviu que tinha culpa por ser daquele jeito.

Mais tarde, já com cabelos longos e roupa feminina não se reconhecia no uniforme masculino que era obrigada a usar. Evitava ao máximo usar o banheiro e aturava em silêncio as piadas que os colegas insistiam em fazer. “Se a travesti não se sujeitar e resistir, acaba sucumbindo”, lamenta.

Em 2003, já com o título de mestre, prestou concurso para lecionar biologia. Eram quatro vagas para uma escola do município de Aracati, apenas ela passou. Porém, o diretor da escola não a aceitou. Luma pediu a intervenção da Secretaria de Educação do Estado e conseguiu assumir o posto. “Eu não era tida como um bom exemplo”.

Anos depois, assumiu um cargo na Coordenadoria Regional de Desenvolvimento de Educação de Russas, justamente a região onde nasceu. Como supervisora das escolas estaduais de diversos municípios, passou a interceder em casos de agressões semelhantes ao que ela viveu quando era estudante.

 “Uma diretora de escola fez uma lista de alunos que, para ela, eram homossexuais. E aí mandou chamar os pais, pedindo para que eles tomassem providências”. A providência, segundo ela, foi “muito surra”. “O primeiro que foi espancado me procurou”, lembra. Luma procurou a escola. Todos os gestores e professores passaram por uma capacitação para aprender como lidar com a sexualidade dos estudantes.

Um ano depois, em 2008, Luma se tornou a primeira travesti a ingressar em um doutorado no Brasil. Ela começou a pesquisar a situação de travestis que estudam na rede pública de ensino e constatou que o caso da diretora que levou um aluno a ser espancado pelos pais e todas as outras agressões sofridas por homossexuais tinham mesma a origem.

“Comecei o levantamento das travestis nas escolas públicas. Eu pedia para que os gestores informassem. Quando ia averiguar a existência real do travesti, os diretores diziam: ‘tem aquele ali, mas não é assumido’. Percebi que estavam falando de gays”, relata. A partir desse contato, Luma trata em sua tese de que as travestis não podem esboçar reações a ataques homofóbicos para concluir os estudos.

Mas também sugere que os cursos de graduação em licenciatura formem profissionais mais preparados não apenas para tratar da homossexualidade no currículo escolar, mas também como lidar com as especificidades de cada pessoa e fazer da escola um lugar sem preconceitos.

“Cada pessoa tem uma forma de viver. Conforme ela se apresenta, vai se comunicar e interagir. O gay tem uma forma de interagir diferente de uma travesti ou de uma transexual. O não reconhecimento dessas singularidades provoca uma padronização. A ideia de que todo mundo é ‘veado’”. A tese de Luma está em fase final, corrigindo alguns detalhes e vai defendê-la em julho, na UFC, em Fortaleza.

Fonte

9 comentários sobre “Primeira travesti a fazer doutorado no Brasil defende tese sobre discriminação

  1. bem realmente isto e fato…sou professor de Biologia ha 5 anos no interior do estado..do qual existe muito preconceito casos em que os pais sabem que seu filho tem um professor “GAY”..ele vai até a diretora e fala que vai tirar seu filho e pra ela escolher o FILHO ou o PROFESSOR..bem lógico que ela escolhe o FILHO pois quanto mais alunos pra ela e melhor…mas enfim tenho alunos “GAYS” que são sim muito humilhados com aquelas piadinhas que sofri quando era também sofri quando era estudanda..BEM o que faço nas minhas aulas não aceito faço o aluno assinar ocorrencia mas sou muito criticado pelo corpo docente da escola…enfim vivemos em um “mundo” complexo no sentido de educação não sei o que fazer pois se não fizerem nada nas escolas onde poderemos fazer….Espero existir mais pessoas como esta que luta correr atras e tem força de fazer o esta fazendo…

    • Mal te conheço e já te amo. É através da mudança de comportamento de cada um que fazemos um mundo melhor. As críticas são inevitáveis, mas se cada profissional pensasse da mesma forma que você, Bruno…

      Parabéns pela postura!

  2. Tinha uma colega minha que era Trava. Era linda e dava/ vendia aulas. Seus alunos a adoravam, Ela era severa. Era mega inteligente. Tirou 9 em latim. Eu tirava apenas 8. Latim é muito difícil. Pelo q conversei c ela nenhum aluno a ofendeu, pelo contrário, quando ela falou q ia sair da profissão os alunos fizeram um abaixo-assinado para ela ficar. Acho q a orientação não tem nada a ver com a função profissional . Acho q só o MM e MRios associa orietação c pedofilia

      • irem seninle gf6rfcşmek isrutoyim ama f6ncelikle belirtmek istedim ben bu deneyimimi ilk .. tanıyosundur yaşadım ama hayal kırıklığı oldu benim ie7in hie7 istediğim gibi olmadı onun ie7in sen veya bir başkasıyla olmak dfcşfcndfcrfcyor..İstediklerim benimle e7ırıl e7ıplak sadece eşofman altını indirmek gibi huyun yoktur umarım.. e7ırıl e7ıplak gere7ek sex amae7 girip e7ıksındeğil sevişmek bu işi para ie7in yapıyormuş gibi değil gere7ekten istiyormuş gibi yapıyorsan gf6rfcşmek isterim eskişehirdeyim eskişehirliyimm cevap yazarsan sevinirim isteklerinide bildirirsen yada telde gf6rfcşfcrfcz f6ptfcm

  3. ela esteve aqui em vitoria ano passado naquela conferencia da oab no auditorio do ccje sobre politicas publicas em prol dos lgbt.

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