O lado escuro da sala


Tenho algumas experiências frustrantes com dark room, a tal ponto que posso dizer que as ruins se equiparam com as boas (riso nervoso).

Antes de mais nada precisamos contextualizar o recente estado de moralidade que fomos tomados a partir da década de 1990. Depois da geração do desbunde, veio a geração do medo, a nossa, ou essa um pouquinho anterior a nós, uma geração que viu os ídolos todos morrerem cedo, uma geração que teme a Aids e a violência urbana (e até o inferno, em alguns casos). Resultado disso foi um estado de moralidade que vemos por aí, muitas vezes falsa. Mas enfim, associado a isso o poder público por meio de orgãos sanitários tem feito acabar com esse objeto chamado dark room. Acho que todos sabem o que é dark room, né? É uma sala totalmente escura (ou quase) que se destina a práticas eróticas-sexuais. Achei essa citação bem legal sobre o tema, de autoria de Maria Elvira:

“Nesse contexto, o tato é privilegiado. As palavras são comumente substituídas pela linguagem corporal: as coisas que se desejam dizer e fazer, explicitam-se mediante gestos, poses e localização dos corpos no espaço “. (vi aqui)

Depois desses poucos devaneios sobre o tema, vou contar, como disse, algumas coisas que já me ocorreram. Minha primeira experiência com dark room foi na Chica (quando ainda havia dark room lá, que foi fechada pela vigilância sanitária). Eu estava com um cara na boate e pedi para ele entrar comigo, pois eu morria de curiosidade, mas tinha medinho. Ele concordou, fomos. Passei pelas cortinas blackout da porta e de fato não havia um raio de luz lá dentro. Fui entrando, pisando com cuidado, pé-ante-pé. De repende, como um vulto dos infernos uma mão pegou minha bunda, ai, que susto! E daí outra, e mais outra na neca. E de repente pareciam que milhares de mãos me puxavam e me pegavam, e umas necas e dís iam surgindo. Entrei em pânico e saí de lá correndo! Na segunda, vez que fui, apesar de já não ter mais como motivo a curiosidade foi tudo bem parecido.

Inclusive contam uma história engraçada de uma beesha montada no final dos anos 90 que estava na dark da Chica também, quando de repente arrancaram e sumiram com a peruca dela dentro da sala. Ela ficou louca! Saiu quebrando tudo, batendo em tudo e gritando enfurecida pela peruca perdida, enquanto as mafiosas morriam de rir. Que maldade, gente!

Mas voltando a mim, certa vez estava num lugar aqui no estado que tem dark (abafa!), e antes de entrar estava flertando um cafuçú. Eu olhava pra ele e ele pra mim. Daí fiz a perigosa e me joguei na dark, dando indicações com a cabeça pra ele vir atrás. Lá, na completa escuridão, o cara se achegou e já veio me aqüendando. Achei estranho que mesmo tendo muita pinta de ativo, foi nervosa já fazendo um keti em mim. “Beleza, vai lá!”, me passou. Segurei a cabeça dele e senti aquele fofinho que só cabelos com grandes cachos tem. Pensei: “Sou ruim em fisionomias, tá, mas o cara que eu estava flertando não era meio calvo e com pouco cabelo liso?”. Quando tentei tirar a neca da boca da bee pra entender a situação indo com meu membro de um lado a outro, para frente para trás, ela por meio de milenares movimentos ninjas seguia-me, me impossibilitando de interromper o bapho. Em sua sabedoria daniel-sam do sexo, botou a camisinha em mim e me deu uma voadora de edí sem que eu pudesse impedir. Mesmo me sentindo violentada, segui aquela máxima da sabedoria popular: “Já que está dentro, deixa!”, mas as avessas, né? Enfim, aconteceu e foi até gostoso, não nego. Mas quando sai da dark, a bee que me aqüendou saiu, me olhou com a cara mais porca do mundo. Ela era a própria figura do demônio (nada contra #leilalopesfeelings)! E na porta da dark o cafuçú que eu queria me olhou com uma expressão que misturava despreso e mágoa e foi embora puto. E eu também fui metralhando a bee com os olhos. E ela? Nem confiança…

38 comentários sobre “O lado escuro da sala

  1. HAUhAUhaUHAHA!

    Ai beesha nao acredito que aconteceu isso…

    Tenho muita curiosidade de conhecer um dark room mas tenho medo que as mesmas coisas aconteçam!!!

  2. Bom ,esse é nosso papel ,(jovens)revolucionar os conceitos já pré-estabelecidos,e é por essas e outras que reafirmo:

    #colunanostadãodjáa
    #xauzésimão
    #oládé

  3. AHAZOU no conto quase erótico auhuauahhua
    nunca fui num dark mas MOOOORRO de curiosidade…
    Um amigo meu disse que, numa boate em Buenos Aires, tem um tal de “White Room”… Uma loucura… A pegação rola solta, mas é tudo no claro mesmo!! ahuahuau Ele disse que quando entrou lá tinha uma loirinha passiva dando pra três negões ao mesmo tempo…
    ADORO! #passagemcompradaprabuenosairesamanhã

    • Um ano após a publicação, a Dé linka a história, venho, leio novamente e me poko de rir como se fosse a primeira vez. Imaginar a cena da travestiii baixando o barraco dentro do Dark procurando a peruca é cômico demais. História boa nao perde a graça.

  4. Peninha o final… lamentável Dé.
    Mas, conta ae. Passado se um tempo, encontrou o bofe de novo e deu as devidas explicações ???

      • Será que só eu sou do tempo da minha avó?

        Não seria exatamente satifasção, apenas explicar os fatos (pensando que fosse ele dentro do dark), ja que, ele foi embora puto, magoado…
        Derepente ele poderia ter sido seu grande amor, namorado, marido, alguma coisa do tipo. com tudo isso perdeu a chance de conhecer um cara bacana.

        • kkkk… O primeiro parágrafo até q vai, mas o segundo… kkkkkkkkkk
          ” E ai Maisum onde vc conheceu seu namorado ? ”
          Maisun diz:” Ahh, foi lá no Dark Room gataa.Foi tão romantico, foi amor a primeira chupada. ”
          rsrsrsrs

          Esses lugares nao são pra conhecer ninguem, nem ficar de papinho, é pra fazer sexo e poka fora pelo q sei.

          Além do mais, q história é essa de q o cara é bacana só pq é bonito ?? A lokaaaa !

          • Refletindo pelo seu ponto de vista, esta totalmente coberto de razão. Tenho que concordar, calado por sinal.
            Acho que por isto nunca frequentei estes tipos de lugares. Meus sentimentos sempre vem primeiro do q sexo.
            Talves um dos motivos pra me encontra-se solteiro hj.

  5. Só faltou o bofe falar pro Dé: “Cê me tirô de lá pra cá a toa? Hein? Cê me tirô?! Cê tá pensando que travesti é bagunça?!”

  6. auhauhauhauha dé,simplesmente perfeito.

    misturando situações trágicas com um olhar cômico.

    uahauha adorei.

    mas vamos combinar…..filme de terror.

    ps: artes ninjas milenares……nusssssssssssss.

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