Para ler a primeira parte deste texto clique aqui.
“Tu sabias que pecar não é fazer o mal: não fazer o bem, isso sim, é que é pecar.” P. P. Pasolini
Um dia estava num quiosque na praia de Coqueiral de Itaparica, em Vila Velha, que é freqüentado por homossexuais. Havia uma menininha por lá brincando. A pessoa que estava comigo disse: “Acho que ela não deveria estar aqui. Não é um bom lugar para uma criança, ela pode acabar se influenciando”. Fiquei indignado (especialmente porque a pessoa era também homossexual)! Perguntei se quando era criança se teve algum contato com o mundo GLBTT. Ele disse que não. E ao perguntar desde quando se via desejando alguém do mesmo sexo, ele me respondeu: “Sempre!”. Portanto, conclui que a menina não seria lésbica quando crescesse, só saberia respeitar as diferenças…
Como mostrei no trecho do texto que selecionei na postagem anterior, alguns cientista explicam a homossexualidade através de processos biológico-hormonais durante a formação e gestação do ser. Uma coisa natural própria da natureza humana. Além disso, a inclinação do desejo para pessoas do mesmo sexo costuma surgir muito cedo o que reforçaria a naturalidade do processo independente de qual seja sua causa.
Ora, se a inclinação do desejo para pessoas do mesmo sexo é natural, ou seja, faz parte da natureza do homem, qual seria a lógica divina de criar algo e fazer-la própria do ser só para depois proibi-la? O que teríamos é uma visão de um Deus sádico, não é?! Um Deus que cria algo para que o ser sofra durante toda uma vida em reprimir e recalcar a si mesmo. Seria como se criasse as asas nos pássaros dando-lhes total condição de vôo só que ao mesmo tempo o proibisse de voar fazendo com que se arrastasse a vida toda. Por que Deus criou o desejo para logo em seguida proibi-lo? Será assim mesmo que Deus é? Não para mim…
Sabemos que o cristianismo é uma criação humana: é a união do pensamento grego com o judeu. Infelizmente, na questão da homossexualidade esse construto absorveu a parte judaica e a filosofia platônica (de repressão aos impulsos e paixões) e não a prática grega onde isso era algo muito comum. Desta forma a Bíblia, base do pensamento cristão, está repleta de aspectos culturais de um povo arcaico que não possuía determinadas explicações do mundo e, dessa forma, sua leitura deveria levar essa questão em consideração, cabendo ao leitor separar o que é cultura de um povo e o que é ensinamento universal.
A questão aqui é não perder de vista que o pensamento religioso é ideológico e construído, assim como a própria razão o é (Nietzsche falava que o ser humano não é racional, é um animal que foi domesticado a pensar). Acredito que a s igrejas e seitas deveriam deixar sua posição de perseguição simbólica e passasse a aceitar os sujeitos com comportamento homoerótico e poupasse uma enorme parcela da sociedade de se sentir pessoas piores por serem elas mesmas.
Concluo esse texto chamando atenção para uma última contradição nos dogmas religiosos. Sabemos que a questão sexual, de procriação, às vezes, permanece num campo mais político da igreja (em especial na católica) e daí cria toda essa problemática que vai desde a questão homossexual até a opressão feminina. Mas se ignorarmos a questão sexual e pensarmos na parte afetiva, ou seja, que aqueles que são homossexuais amam pessoas do mesmo sexo (amor aqui visto no sentido de ‘eros’) temos a contradição máxima da igreja negando a si própria. Afinal, como ela pode condenar o amor se esse é – ou deveria ser – sua base, sua essência?
30/10/2009 às 8:48 pm
Genteeee como tenho saudades de textos assim no blog.
DE -SA-BA-FEI!!
fIKADICA!!
aDOREI dÉ
04/11/2009 às 9:16 am
“Adoro estes tipos de texto, pois mostra a diversidade de culturas e o ponto de vista diverso.!”